Seminário discute os 50 anos do golpe – Fronteiras Americanas

O seminário organizado pela Fundação Biblioteca Nacional debateu os 50 anos do golpe militar de 1964, nos dias 27 e 28 de março no auditório Machado de Assis, nas dependências da Biblioteca.

Palestrantes renomados no estudo do período militar no Brasil, e em outras ditaduras da América Latina, presentaram a plateia com reflexões e teorias, além de fatos históricos que marcaram o país.

A relação da imprensa com a ditadura, a censura, a memória do golpe e a relação de poder entre o governo americano e as ditaduras latino-americanas foram alguns dos principais temas de debate.

As ditaduras sul-americanas e a hegemonia norte-americana

“A política é a arma do négocio” declarou Tatiana Poggi, professora de história na Universidade Federal Fluminense. As relações entre os Estados Unidos e as ditaduras militares no cone sul foi o tema da segunda mesa de debate. A acadêmica debruçou-se sobre sua área de pesquisa, a intervenção de empresas americanas na América Latina, em especial no Chile.

Tatiana destacou também as relações tensas que precederam o golpe, bem como operações realizadas pela Agência Americana de Inteligência (CIA) em território chileno. “As empresas americanas tinham muito interesse no país, especialmente as mineradoras. A política de nacionalização implantada por Allende era preocupante para os negócios, tornando o golpe uma solução lucrativa”.

O segundo palestrante, Noberto Ferreras, também professor do departamento de história da UFF falou das memórias de testemunhas e sobre a necessidade de estudos a partir dos depoimentos. “Não se pode saber nada a partir de uma experiência individual, é preciso um estudo posterior e conjunto. A memória deve ser o ponto de partida, mas nunca o de chegada”.

Seguindo essa linha de pensamento, declarou que o reducionismo da culpa, do General ou de Jango, é uma forma de isentar a sociedade de culpa. “A classe média apoiou o golpe, bem como os intelectuais progressistas. O medo do comunismo predominava”.

O historiador ressaltou ainda a busca pela hegemonia continental buscada pelos Estados Unidos em meio à guerra fria e como o apoio às ditaduras lhes garantiu controle sobre as Américas. “As experiências de Cuba e o avanço no processo de reforma agrária na Bolívia eram ameaças ao poder americano. Eles não queriam que um país das dimensões do Brasil se transformasse em uma nova ‘ilha socialista’”.

A pesquisadora da Fundação Biblioteca Nacional, Rafaella Bettamio, falou sobre a pesquisa que está realizando: uma coleção intitulada “Brazil Populars Groups”, um documento feito pela biblioteca do Congresso americano sobre os movimentos populares brasileiros.

A coleção se estende até os dias atuais, mas a pesquisa é focada no período de 66 a 86. Durante esses 20 anos, a maioria vividos sobre a ditadura militar, o governo americano reuniu folhetos, pôsteres e outros materiais sobre os movimentos no Brasil. “A pesquisa é sobre a coleção por inteiro, resumindo a relação de interesse do governo americano com o que acontecia no nosso país”.

Os subtemas presentes nos arquivos recolhidos variam desde os direitos humanos, reforma agrária, índios, passando pelos movimentos de negros e mulheres, e dedicando uma parte inteira à comunicação e educação.

A pesquisadora ainda está nos momentos iniciais da pesquisa, mas mantêm como linha de estudo duas hipóteses principais. “Era uma tática de defesa contra o comunismo, mas também uma forma de ajudar o aparato de repressão brasileiro, provando mais uma vez a ligação entre os Estados Unidos e a ditadura militar”.

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