Seminário discute os 50 anos do golpe – Imprensa

O seminário organizado pela Fundação Biblioteca Nacional debateu os 50 anos do golpe militar de 1964, nos dias 27 e 28 de março no auditório Machado de Assis, nas dependências da Biblioteca.

Palestrantes renomados no estudo do período militar no Brasil, e em outras ditaduras da América Latina, presentaram a plateia com reflexões e teorias, além de fatos históricos que marcaram o país.

A relação da imprensa com a ditadura, a censura, a memória do golpe e a relação de poder entre o governo americano e as ditaduras latino-americanas foram alguns dos principais temas de debate.

A Imprensa Alternativa na ditadura: A luta incansável pelo fim do autoritarismo

A imprensa alternativa na ditadura militar foi o tema da primeira mesa. Estavam presentes Maria Paula Araújo, professora de história na URFJ, Hugo Bellucco, formado em História pela UFF e Bruno Brasil, pesquisador da Fundação Biblioteca Nacional.

A historiadora Maria Paula destacou aspectos peculiares da Imprensa Alternativa da época e seu papel como opositora de um regime totalitário. “A imprensa alternativa desse período pode ser dividida em basicamente três: os jornais especificamente de esquerda, os de contra-cultura, como o tropicalismo e as publicações de movimentos sociais, da UNE, das favelas, das feministas”.

Os jornais como Pasquim, Movimento e Em tempo são grandes representantes da política da época. Os autores desses periódicos eram em sua grande maioria jornalistas. Por outro lado, publicações ligadas aos movimentos sociais, como Brasil Mulher, feminista, e Tição, do movimento negro, eram editadas basicamente por pessoas ligadas às causas.

Os periódicos feministas, o já citado Brasil Mulher e o Nós Mulheres tinham grande representatividade, inclusive política. “Aqui ocorreu algo diferente dos fenômenos que ocorreram na Europa, por exemplo, onde o feminismo se dissociava de qualquer ideologia política. No Brasil ele aderiu ao comunismo, as mulheres lutavam por seus direitos, como o fim da violência doméstica, o direito ao aborto, e pelo fim da ditadura”.

O marco de união dos diversos movimentos e grupos políticos, segundo Maria, foi a campanha pela anistia. Os jornais começaram a proclamar a união em busca de um objetivo maior, a redemocratização do país.
Bruno Brasil ilustra o papel da Imprensa da época de maneira muito eficaz. Para tanto usa o “EX” jornal que circulou pouco tempo e com vários problemas para manter-se em atividade. No entanto, em meio as dificuldades o EX foi o único a noticiar a morte de Vladimir Herzog de forma verídica, como assassinato. A censura pressionou o jornal e ameaçou a integridade física dos editores, sendo obrigado a fechar com menos de 20 edições lançadas.

O pesquisador cita, ainda, a decadência da imprensa alternativa, que com o processo de redemocratização, acabou perdendo espaço para a imprensa tradicional, que com o afrouxamento da censura, começava a fazer as pautas proibidas antes vistas apenas na imprensa alternativa.

Hugo Bellucco questionou o termo “alternativa”, pois acredita que essa imprensa era a única a fazer o verdadeiro jornalismo na época. “O papel do jornalismo é informar. As grandes empresas não informavam, estavam amarradas pela censura governamental e pela autocensura”.

Bellucco afirma que a imprensa poderia ter esse nome devido a outros motivos, como uma alternativa de trabalho em relação as redações tradicionais, oprimidas pelo regime, ou como uma alternativa de projeto político perante ao vigente.

Por fim, o historiador reafirma o papel dos jornais como forma de oposição: “Esses periódicos tinham grande importância opositora. Eram um grande fator de difusão de ideias”.

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