A história na capa do jornal

Mostra Diários do Golpe – A ditadura na primeira página

A mostra Diários do Golpe – A ditadura na primeira página será inaugurada na segunda, dia 28 de abril, na Biblioteca Central do Gragoatá. Organizada pelo professor do departamento de Comunicação Social Ildo Nascimento e pelo aluno Vinícius Damazio, a exposição contará com 22 painéis, de 1961, da renúncia do Jango, até 1985, ano que Tancredo Neves faleceu e o regime constitucional foi retomado.

Os painéis, de 1,00m x 0,50m, possuem a primeira página mais marcante do ano. O principal foco da mostra é evidenciar os aspectos gráficos presentes nessas capas, subsídios usados pelos jornais para driblar a forte censura que abatia o jornalismo brasileiro. As fontes, títulos, fotos e legendas e o resultado final de suas composições são a peça-chave da exposição. Além das capas, uma linha do tempo e uma bibliografia indicada, que poderá ser encontrada na própria biblioteca, ajudarão o visitante a se situar na história.

exposição

Montagem Ildo Nascimento

O professor Ildo Nascimento conversou com o Cale-se sobre a exposição. “A Diários do Golpe foi feita para quem tem mais de 30 anos recordar, e, pra quem tem menos, tomar conhecimento. A informação é cada vez mais rara. Acho importante que os jovens comecem a ler, se interessar pelo assunto”.

1973 - JB - Allende

1973 – JB – Allende

Ildo, que trabalhou na área gráfica durante o período ditatorial, relembrou suas próprias experiências: “Lembro de comprar alguns daqueles jornais. O de 31 de dezembro de 1978, do fim do AI-5, por exemplo. Era uma capa simples, praticamente só texto. Lá embaixo tinha uma foto de comemoração com o pão de açúcar no fundo, não era pelo fim do AI-5, mas foi uma jogada gráfica do Jornal do Brasil. Eles eram especialistas nisso.” Outra capa em destaque é a notícia da morte do presidente do Chile, Salvador Allende, em 1973. “O governo disse que não podiam dar destaque a notícia. O Jornal do Brasil burlou isso e fez uma capa sem manchete, sem foto. Letra no tamanho 24, só em texto. O efeito foi justamente o contrário”, comentou.

O professor falou ainda sobre a importância da participação do aluno Vinícius Damazio. “Ele não é meu orientando, mas meu parceiro. Ele embarcou na ideia em abril do ano passado, tivemos muito trabalho. A assessoria dele foi de extrema importância, especialmente para que a exposição não ficasse rancorosa. Tanto que não usamos muito as palavras ditador ou golpe. As capas já mostram isso por si só.”

O aluno, que também conversou com o Cale-se sobre a exposição, destacou as descobertas feitas durante a pesquisa sobre o tema. “Sempre achei interessante e constantemente esbarrava nele, mas nunca havia me aprofundado tanto quanto o fiz para a montagem da exposição. O trabalho de pesquisa é sempre de descoberta”, exclamou Vinícius. “Nosso objetivo não é dar um ponto final na história dos anos da ditadura. Isso é trabalho dos livros, que estão lá no segundo andar da biblioteca e indicados nos painéis. A ideia é abrir portas para outros caminhos”.

A exposição faz parte das “descomemorações” dos 50 anos do golpe. Vale a pena conferir!

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Janaína Medeiros é graduanda em Comunicação Social, Jornalismo na Universidade Federal Fluminense, e bolsista no projeto Afasta de mim este Cale-se.

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