“Holofote”

Por Maria Clara Vieira

Jornalistas premiados por reportagens inéditas comparam suas histórias
ao filme “Spotlight” e falam sobre o futuro do jornalismo investigativo.

Pilhas de arquivos, noites mal dormidas, pesquisas intermináveis e entrevistas cabulosas. O trabalho árduo de quatro repórteres do jornal norte-americano The Boston Globe, em 2001, não resultou apenas na revelação do escabroso esquema de acobertamento de casos de assédio sexual pela Igreja Católica. Somente em Boston, 90 padres foram acusados de envolvimento com menores.

A investigação foi recompensada com a conquista do Pulitzer, o maior prêmio de jornalismo internacional. Os esforços da equipe “Spotlight” (holofote, em inglês) chegaram às telonas na obra homônima em novembro do ano passado e renderam à produção o Oscar de Melhor Roteiro Original e Melhor Filme, além de outras quatro indicações à estatueta dourada (diretor, montagem, ator coadjuvante e atriz coadjuvante).

Como se não bastassem os elogios da academia, o filme Spotlight – Segredos revelados reacendeu o debate sobre a importância do trabalho jornalístico e os limites aos quais os repórteres são submetidos em tempos de cortes de gastos e redações cada vez mais enxutas. A pressão por pautas rápidas e lucrativas, a competição desleal com a internet, a dificuldade de acesso às fontes devido à pressão das assessorias de imprensa e, principalmente, a falta de investimento dos jornais em reportagens que exigem apurações meticulosas e, portanto, caras e demoradas, são algumas das dificuldades enfrentadas pelos chamados “agentes do Quarto Poder”, 14 anos após o episódio de Boston.

No Rio de Janeiro, onde 293 jornalistas foram demitidos entre janeiro e setembro de 2015, a vitória de Spotlight repercutiu entre os “coleguinhas”, que recordaram suas matérias dignas dos quatro repórteres americanos e comentaram os percalços do jornalismo investigativo na era das novas mídias. O Cale-se conversou com três repórteres premiados por reportagens sobre violações aos direitos humanos para contar os tortuosos caminhos da notícia e debater o futuro dos que se dedicam a lançar novas luzes sobre o cotidiano por meio dos holofotes da imprensa.

Morte em nome da Lei
Os autos de resistência forjados descobertos por João Antônio Barros, o quinto repórter mais premiado do país – Matéria publicada no jornal O Dia, em 20 de julho de 1997.

Memórias da ditadura
A série “As confissões do coronel Malhães”, de Juliana Dal Piva, publicada em 20 de março de 2014 pelo jornal O Dia, e a análise do repórter investigativo Chico Otávio, vencedor de sete Prêmios Esso, um deles pela matéria sobre o emblemático caso do Riocentro, publicada em 5 de março de 1999.

TRAILER

*Até a próxima quarta-feira, “Spotlight” está em cartaz no Cine Arte UFF, às 18h50.

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