Dia Mundial dos Refugiados

Mais de 65 milhões de seres humanos vivem hoje como refugiados, o equivalente à população da França e uma vez e meia a da Argentina.

Gente que foge da guerra, de perseguições políticas, religiosas, da miséria, da falta de oportunidade de trabalho. Gente que busca uma luz no horizonte.

Em outros tempos, essa gente ajudou a desenvolver países, como o Brasil e os Estados Unidos. Hoje muitos deles são renegados no território que buscaram como residência, temporária ou definitiva. Se um dia Deus voltasse à Terra certamente regressaria como refugiado e correria o risco de ser novamente executado ou morrer de bala perdida.

O Brasil viu crescer em quase 3 mil por cento o número de pedidos de asilo nos últimos cinco anos. O País adota uma política acolhedora. Foram recebidas 28.670 solicitações entre 2010 e 2015. Os haitianos lideram as demandas, com 48 mil, seguidos por senegaleses e sírios.

A imprensa internacional adverte que o mundo precisa aprender a conviver com os refugiados. É verdade, mas só isso não basta. É preciso atingir as causas que levam à existência de refugiados. As guerras insufladas pelo grande capital por detrás da indústria bélica, os massacres praticados pelas ditaduras de todos os o matizes, o desespero causado pela fome imposta às nações pobres pelo chamado “mundo civilizado” e, por fim a insensibilidade das elites, que preferem pôr a culpa no Estado.

No Dia Mundial dos Refugiados, a France Press publica boa matéria sobre o tema.

João Batista de Abreu

Recorde de 65,3 milhões de refugiados e deslocados no mundo em 2015

Genebra, 20 Jun 2016 (AFP) – O ano de 2015 estabeleceu um recorde amargo, com 65,3 milhões de refugiados e deslocados obrigados a deixar suas casas ou seus países de origem em consequência das guerras ou como vítimas de perseguições, anunciou a Agência da ONU para os Refugiados.

Desde 2011, quando começou a guerra na Síria, o número aumenta ano após ano, de acordo com as estatísticas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). O número registrou alta de 9,7% na comparação com 2014, depois de uma estabilidade entre 1996 e 2011.

Esta é a primeira vez que a quantidade de deslocados superou 60 milhões de pessoas, número equivalente à população do Reino Unido.

“Dar as costas para os refugiados e olhar para o outro lado não é uma opção”, advertiu nesta segunda-feira, no Afeganistão, Filippo Grandi, alto comissário da Organização das Nações Unidas para os Refugiados.

“A cada minuto 24 pessoas no mundo, uma em cada 113, são obrigadas a optarem pelo exílio”, acrescentou Grandi, que comemorou a Jornada Mundial dos Refugiados no Afeganistão, segundo país de maior êxodo, somente atrás da Síria.

Grandi, que assumiu o cargo no início de 2016, considera no relatório que “os fatores de ameaça para os refugiados se multiplicaram”.

“Vivemos em um mundo desigual” há guerras, conflitos, e “é inevitável que as pessoas queiram seguir para um local mais seguro”, explicou.

Jan Egeland, secretário-geral da ONG Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), que ajudou na elaboração do documento, afirmou que os refugiados “são vítimas de uma paralisação geral” dos governos em todo o mundo, que “renunciam a suas responsabilidades”.

De acordo com Grandi, a maioria das crises que empurram os deslocados para o exílio são as mesmas, ano após ano, com a Síria como principal conflito no mundo. Mas em 2015 surgiram novas situações de emergência, de “Burundi ao Sudão do Sul e o Afeganistão”.

O Alto Comissariado indicou que atualmente os afegãos são o segundo grupo de refugiados mais numerosos em todo o planeta, atrás apenas dos sírios, que somam quase cinco milhões de pessoas.

Entre os 65,3 milhões de deslocados no mundo, o número de refugiados, pessoas obrigadas a deixar o seu país, subiu para 21,3 milhões e a quantidade de deslocados que migraram dentro das fronteiras de seu país chegou a 40,8 milhões. Os demais são 3,2 milhões de demandantes de asilo nos países ricos.

Destas 65,3 milhões de pessoas, 16,1 milhões dependem do Acnur, “o número mais alto em 20 anos”. Os demais, 5,2 milhões de refugiados palestinos, dependem de outra agência especializada da ONU.

África, principal destino dos refugiados. Em 2015, mais da metade dos novos refugiados, equivalentes a um milhão de pessoas, procediam da Síria. No final do ano passado, 55% dos 16,1 milhões de refugiados que dependem do Acnur estavam na Europa ou na África subsaariana.

No total, apenas na África há 4,41 milhões de refugiados, um aumento de 20%, procedentes principalmente da Somália, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Sudão e República Centro-Africana.

A Europa é o segundo continente que recebe mais refugiados, com 4,39 milhões, o que representa um aumento de 43%. A Turquia é o país que recebe mais refugiados, com 2,5 milhões de pessoas, seguida pelo Paquistão, com 1,6 milhão, e Líbano, com 1,1 milhão.

***publicado pela France Press

“Reporting Europe’s Refugee Crisis”, 1.º Prémio na Categoria de Notícias (Reportagem) do World Press Photo © Sergey Ponomarev, Russia, 2015, for The New York Times

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