Quando a falta de tolerância invade até a universidade

Fernanda da Escossia

Mataram um estudante, podia ser meu aluno

O estudante da UFRJ Diego Vieira Machado, 24, foi encontrado morto na noite deste sábado perto do alojamento universitário, no Fundão, onde morava. O crime está sob investigação.

Estudante de Arquitetura, Diego era amigo de alguns dos meus alunos na Escola de Comunicação. Queria se transferir para a ECO e ser publicitário. Podia também ter sido meu aluno.

Nas redes, vejo alertas sobre a possibilidade de um crime de ódio, pois Diego era negro, pobre e, segundo o relato de estudantes, gay e militante da causa LGBT. Veio do Pará estudar no Rio. Mesmo que não seja um crime motivado por ódio, ainda assim é um crime gravíssimo, um homicídio.

Nesses meses de UFRJ, tenho meu lide particular: vejo uma universidade com muito mais diversidade, com mais negros, alunos de escolas públicas, pobres, indígenas e LGBTs. Mais democrática que nos meus tempos de estudante.

Mas um dia um aluno alertou para uma inscrição no banheiro: “Morte aos gays da UFRJ”. Uma aluna, nordestina como eu, me disse que já ouviu que “vocês nordestinos vêm para cá tomar nossas vagas”. O preconceito sobrevive.

É um fim de domingo triste diante de mais um assassinato de um jovem negro no Brasil. É uma morte a cada 23 minutos, como escrevi numa reportagem para a BBC Brasil esses dias. Quero meus alunos vivos, todos eles

***Fernanda da Escossia é jornalista e professora da Escola de Comunicação da UFRJ

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