Morre o militante pacifista chinês Liu Xiaubo, Prêmio Nobel da Paz

por João Baptista de Abreu

A morte do professor de Literatura Liu Xiaobo, 61 anos, Prêmio Nobel da Paz de 2010 e crítico ferrenho da ausência de liberdade na China, nos remete a outro caso semelhante ocorrido pouco antes da Segunda Guerra Mundial, a morte do jornalista e ex-estudante de Letras Antonio Gramsci, 47 anos, secretário do Partido Comunista italiano. Condenado a 20 anos de prisão pelo regime de Mussolini, Gramsci deixou a cadeia poucas semanas antes de sua morte, em 1937. Foi preso em 1926 quando era deputado, mas a imunidade parlamentar não foi respeitada. Na prisão escrevia nas entrelinhas dos livros que lhe davam para ler. Produziu 32 cadernos, lançados após a guerra com o nome de “Cadernos do Cárcere”. Oitenta anos depois a história e a farsa se repetem. Condenado a 11 anos de prisão por exigir eleições diretas e liberdade de expressão na China, Xiaobo foi liberado em junho para morrer do câncer no fígado que não foi tratado adequadamente. Em 1938, o nazismo agiu da mesma forma ao soltar o militante pacifista alemão Carl von Ossietzky, também Prêmio Nobel da Paz pouco antes da morte. E no momento em que escrevo esta modesta crônica, é provável que esteja ocorrendo o mesmo com um anônimo militante político, preso ilegalmente em Guantanamo pelo governo dos Estados Unidos . Nem Barak Obama, que morou na Casa Branca oito anos, conseguiu cumprir a promessa de campanha de acabar com aquele cárcere que fere criminosamente os direitos humanos num país que se apresenta como a maior democracia no mundo. Mas por que estes crimes acontecem com tanta frequência nas principais economias do mundo? Por que a tolerância com estas nações é maior do que quando se trata de Cuba ou Venezuela? Por que as agências de notícias são tão atentas às denúncias de maus tratos na América Latina e benevolentes com o grande capital? A resposta pode ser encontrada nos Cadernos do Cárcere, do prisioneiro sardo Gramsci.

Foto de destaque: REPRODUÇÃO/YOUTUBE

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