Os protagonistas desta história II

A seguir publicamos depoimentos de alguns ex-bolsistas do projeto Afasta de mim este cale-se na ocasião do II Congresso Internacional sobre Competências Midiáticas

Renata Cunha

O projeto “Afasta de mim este cale-se” me deu a primeira oportunidade efetiva de pensar o jornalismo de forma política. Não sob a ótica do noticiário do dia a dia, ou da editoria que dá nome a uma parte do jornal, mas do ofício politicamente inserido. Lá, exercitamos um jornalismo que ouve, redige e edita sem pudor do posicionamento. Aliás, entendo que o fazer jornalístico não pode existir sem esse ser-estar político. A pretensa isenção jornalística já nos custou e nos custa, diariamente, muito caro, pois dá aval a toda sorte de arbítrios e violações, respaldando arbitrariedades promovidas pelo Estado, naturalizando violências e contribuindo para um verdadeiro genocídio das minorias (que por vezes é maioria). E é por esse pensamento, mesmo estando fora de uma redação, que guio o meu “estar no mundo” e a minha linha de atuação em todos os campos da vida e da profissão.

Nesse percurso no projeto de extensão, nós alunos vivemos a liberdade e as limitações de falar de dentro da academia, que é uma zona de conforto para os nossos (tantos) privilégios, mas também espaço de laboratório e chance de um fazer diferenciado, para além das técnicas e tecnologias do curso. Aproximar-se das diferenças, ouvir histórias e narrá-las com empatia e coerência é um aprendizado fundamental para qualquer ser humano, principalmente para um futuro profissional de comunicação.

Resgatamos o passado da ditadura militar e, sob diversos vieses, o conectamos àquele presente (cada vez mais presente). Se naquela época nos dissessem que dez anos depois estaríamos clamando por voto livre e assegurado, falando da necessidade de reação a um golpe e de luta contra a censura respaldada por um forte conservadorismo civil, não acreditaríamos, pensaríamos se tratar de uma piada de mau gosto ou de um sonho ruim e mal dormido. Mas cá estamos, numa conjuntura dura, desfavorável, diante da qual é preciso existir, agir e reagir. Este é o conselho para as próximas gerações do Cale-se: fazer desse projeto uma centelha de resistência em meio às trevas que voltam a se anunciar no horizonte.

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