Os protagonistas desta história III

A seguir publicamos depoimentos de alguns ex-bolsistas do projeto Afasta de mim este cale-se na ocasião do II Congresso Internacional sobre Competências Midiáticas

Sheila Jacob

Nos meses finais de minha graduação, tive a oportunidade de participar do projeto de extensão “Afasta de mim este cale-se”. Essa experiência certamente foi chave na conclusão da minha formação como jornalista, e hoje, quase dez anos depois, avalio que foi determinante no caminho profissional que escolhi.

Até participar desse projeto, eu havia basicamente feito estágios na área de assessoria de imprensa. Com o Cale-se, pude finalmente “colocar a mão na massa” do texto, participando das diversas etapas de produção de matérias jornalísticas – desde a escolha da pauta, passando pela apuração, redação até a edição junto aos professores coordenadores. Mas não apenas. Com esse projeto, também pude escolher como caminho a ser trilhado o jornalismo comprometido com a defesa dos direitos humanos e com a visibilidade de narrativas que não são privilegiadas pelos meios de comunicação tradicionais.

Naqueles longínquos anos, mal sabia eu que esse projeto se tornaria cada vez mais necessário, principalmente em um momento tão crítico no qual muitos brasileiros exaltam a ditadura, transformam em mito um parlamentar que defende os torturadores e pedem “intervenção militar” como solução mágica para os (des)caminhos de nosso país. Penso que, mais do que crueldade, esses discursos são fruto da ignorância, são resultado do profundo desconhecimento desse passado que o “Cale-se” vem tentando contar, a partir de tantas vozes, vivências e experiências que marcaram e foram marcadas por aquele período.

Dentre as entrevistas, resenhas e reportagens desenvolvidas, uma, em especial, me marcou. Foi escrevendo para o “Cale-se” que pude visitar, em 2008 (ou 2009), a casa do advogado Modesto da Silveira, figura importantíssima de nossa história, reconhecido pela defesa de presos políticos durante a ditadura militar. Sou grata à universidade pública – e a seu projeto de extensão – por conhecer de perto essa figura tão respeitada e por mim, até então, desconhecida. Muitas e muitas vezes depois esbarrei com Modesto em eventos ligados a movimentos populares e sindicatos, o que sempre me emocionou por saber que aquele homem era um daqueles lutadores imprescindíveis de que falava Bertolt Brecht. Modesto faleceu no ano passado, e não pude deixar de comparecer a seu velório. Acho que não é exagero dizer que aquela entrevista marcou a minha vida.

Para que o “Cale-se” possa atingir um público mais amplo, talvez possa ser mais “presente” nas redes sociais, assim como ter um canal no Youtube e ali divulgar vídeos (curtos) com trechos de entrevistas, músicas, “resenhas faladas” (estilo booktuber), e outras iniciativas afins.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s